O NPH na era digital, de 26 a 30 de novembro, no IFCH/UFRGS!
O Núcleo de Pesquisa em História (NPH) vincula-se ao Departamento de História e ao Programa de Pós-Graduação em História (PPGH) do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
terça-feira, 6 de novembro de 2012
para os interessados
História Oral e Educação Patrimonial são temas de palestras em Santos
Por falaeescrita
Para quem é de Santos e região ou estará por lá nos próximos
dias 6 e 7 de novembro, duas atividades são recomendadas, sobretudo para
os que se interessam por história oral, construção narrativa, educação
patrimonial, identidades e memória. Ambas serão oferecidas pela Fundação
Arquivo e Memória de Santos e acontecerão no Espaço Cultural Casa de
Frontaria Azulejada.
No dia 6, terça-feira, a historiadora Suzana Lopes Salgado Ribeiro, pesquisadora do Núcleo de Estudos em História Oral da USP e coordenadora da Fala Escrita desenvolve atividade que tem como foco a apresentação de noções básicas de história oral como procedimento para a produção de narrativas.

Na quarta-feira, dia 7, a museóloga Marília Xavier Cury apresenta questões que relacionam o papel da Educação Patrimonial na proposição de políticas públicas e como é possível a participação coletiva nesse processo.

Os eventos são gratuitos e os interessados devem se inscrever pelo e-mail: inscricao@energiaesaneamento.org.br.
No dia 6, terça-feira, a historiadora Suzana Lopes Salgado Ribeiro, pesquisadora do Núcleo de Estudos em História Oral da USP e coordenadora da Fala Escrita desenvolve atividade que tem como foco a apresentação de noções básicas de história oral como procedimento para a produção de narrativas.
Na quarta-feira, dia 7, a museóloga Marília Xavier Cury apresenta questões que relacionam o papel da Educação Patrimonial na proposição de políticas públicas e como é possível a participação coletiva nesse processo.
Os eventos são gratuitos e os interessados devem se inscrever pelo e-mail: inscricao@energiaesaneamento.org.br.
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Chamada de artigos
O
Conselho Editorial da Revista Em Tempos de História, publicação do
corpo discente do Programa de Pós-Graduação em História da UnB, abre
chamada de trabalhos inéditos para o dossiê temático Ensino da História.
E não é só. A Revista História Oral também convoca pesquisadores que
estudam o tema da Diversidade Étnica e Fontes Orais para publicação de
artigos.
[Leia mais]
[Leia mais]segunda-feira, 15 de outubro de 2012
divulgue seu evento
Quem quiser postar no nosso blog, é só enviar para ufrgs.nph@gmail.com a sua divulgação.
NPH/UFRGS
NPH/UFRGS
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Deu no Café História
MURAL DO HISTORIADOR:
PRÊMIO MEMÓRIAS REVELADAS
As
inscrições para a Edição 2012 do Prêmio de Pesquisa Memórias Reveladas
ocorerrão do dia 5 de setembro de 2012 ao dia 28 de fevereiro de 2013. O
Prêmio de Pesquisa Memórias Reveladas é um concurso de monografias com
base em fontes documentais referentes ao período do regime militar no
Brasil (1964-1985). E não perca também na seção: novo livro discute a
relação entre o ISEB, os militares e a imprensa no Brasil (1955-1964)
[Leia mais]
[Leia mais]Aproveitem a possibilidade
Destaque
Notícias
A Hemeroteca Digital Brasileira
A Fundação Biblioteca Nacional oferece aos seus usuários a HEMEROTECA DIGITAL BRASILEIRA, portal de periódicos nacionais que proporciona ampla consulta, pela internet, ao seu acervo de periódicos – jornais, revistas, anuários, boletins etc. – e de publicações seriadas.Na HEMEROTECA DIGITAL BRASILEIRA pesquisadores de qualquer parte do mundo passam a ter acesso, inteiramente livre e sem qualquer ônus, a títulos que incluem desde os primeiros jornais criados no país – como o Correio Braziliense e a Gazeta do Rio de Janeiro, ambos fundados em 1808 – a jornais extintos no século XX, como o Diário Carioca e Correio da Manhã, ou que não circulam mais na forma impressa, caso do Jornal do Brasil.
Entre as publicações mais antigas e mesmo raras do século XIX estão, por exemplo, O Espelho, Reverbero Constitucional Fluminense, O Jornal das Senhoras, O Homem de Cor, Marmota Fluminense, Semana Illustrada, A Vida Fluminense, O Mosquito, A República, Gazeta de Notícias, Revista Illustrada, O Besouro, O Abolicionista, Correio de S. Paulo, Correio do Povo, O Paiz, Diário de Notícias, e também os primeiros jornais das províncias do Império.
Quanto ao século XX, podem ser consultados revistas de grande importância como Careta, O Malho, O Gato, Revista da Semana, Klaxon, Revista Verde, Diretrizes e jornais que marcaram fortemente a história da imprensa no Brasil, como A Noite, Correio Paulistano, A Manha, A Manhã e Última Hora.
Periódicos de instituições científicas também compõem um segmento especial do acervo já disponível. São alguns deles os Annaes da Escola de Minas de Ouro Preto, O Progresso Médico, a Revista Médica Brasileira, os Annaes de Medicina Brasiliense, o Boletim da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro, a Revista do Instituto Polytechnico Brasileiro, a Rodriguesia: revista do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, o Jornal do Agricultor, entre muitos outros. O pesquisador pode consultar também outras modalidades de publicação, como o Boletim da Illustríssima Câmara Municipal da Corte, os Relatórios dos Presidentes das Províncias (no Império) o Boletim do Museu Paraense de História Natural e Ethnographia, a Revista do Archivo Público Mineiro, a Gazeta dos Tribunaes: dos juízes e factos judiciaes, do foro e da jurisprudência (Rio de Janeiro) etc.
A consulta, possível a partir de qualquer aparelho conectado à internet, é plena e avançada. Pode ser realizada por título, período, edição, local de publicação e palavra(s). A busca por palavras é possível devido à utilização da tecnologia de Reconhecimento Ótico de Caracteres (Optical Character Recognition – OCR), que proporciona aos pesquisadores maior alcance na pesquisa textual em periódicos. Outra vantagem do portal é que o usuário pode também imprimir em casa as páginas desejadas.
Além da chancela do MINISTÉRIO DA CULTURA, a HEMEROTECA DIGITAL BRASILEIRA é reconhecida pelo MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA e tem o apoio financeiro da FINANCIADORA DE ESTUDOS E PROJETOS – FINEP, o que tornou possível a compra dos equipamentos necessários e a contratação de pessoal para a sua criação e manutenção. Neste momento do lançamento do portal – julho de 2012 –, são cinco milhões de páginas digitalizadas de periódicos raros ou extintos à disposição dos pesquisadores, número que se multiplicará com a continuidade da reprodução digital.
Últimos históricos
terça-feira, 9 de outubro de 2012
É possivel
Preparamos uma lista com todas as entrevistas realizadas pelo Café História desde 2009.
Confira os nossos convidados e os temas. Para acessar, clique no nome do entrevistado.
2012
2011
2010
2009
Visite Cafe Historia em: http://cafehistoria.ning.com/?xg_source=msg_mes_networknossa homenagem ao pensador
Eric Hobsbawm: vida e obra de um historiador singular
No
Brasil, “A Era dos Extremos – O Breve Século XX: 1914 -1991” foi
notadamente o seu livro mais conhecido. Editado pela Companhia das
Letras, o título vendeu incríveis 227 mil exemplares, tornando-se um
verdadeiro best-seller na área. Mas as suas principais contribuições à
historiografia estão mesmo em obras anteriores, tais como “A Invenção
das Tradições” e “Nações e Nacionalismos desde 1870”, nas quais analisa a
complexa estruturação dos Estados nacionalistas do século XIX, e
“História Social do Jazz” e “Mundos do Trabalho: Novos Estudos Sobre a
História Operária”, onde o autor explora a trajetória do mundo do
trabalho a partir não só da ótica econômica, mas também do social. É
dele também a série composta pelos livros "A Era das Revoluções", "A Era
do Capital" e "A Era dos Impérios", que fazem companhia ao já
mencionado "A Era dos Extremos". Seu último livro, "Como mudar o mundo",
uma coleção de ensaios, foi publicado em 2011 no país pela Companhia
das Letras.
Uma
característica presente em quase todas as obras de Hobsbawm é a
acessibilidade da narrativa. Além de bom pesquisador, o historiador
tinha uma boa escrita, sabendo alcançar o grande público sem abrir mão
da profundidade de suas análises históricas. Afonso Carlos Marques dos
Santos, antigo professor de Teoria de História da Universidade Federal
do Rio de Janeiro, falecido em 2004, fez certa vez uma síntese bastante
original da história feita por Hobsbawm, destacando uma outra
característica do historiador inglês - a coragem para desafiar
paradigmas do marxismo:
Conheça mais sobre a trabalho e a trajetória de um dos mais importantes historiadores britânicos do século XX.
Um
giro pelo noticiário nacional e internacional neste dois de outubro de
2012 evidencia o enorme reconhecimento que Eric Hobsbawm conquistou ao
longo de quase oito décadas dedicadas ao estudo da história. A morte do
historiador britânico, ocorrida ontem, na Inglaterra, aos 95 anos, foi
capa dos principais jornais do mundo. Hobsbawm, que estava internado no
Royal Free Hospital, em Londres, morreu em decorrência de uma pneumonia,
deixando esposa, três filhos, sete netos, um bisneto e milhões de
admiradores pelo mundo, muitos dos quais brasileiros. Em sua homenagem, o
Café História preparou o presente texto, no qual lembramos sua
trajetória, suas várias identidades e a recepção de sua obra, citada em
um número incalculável de trabalhos que abordam a história mundial do
século XIX e XX.
Hobsbawm: o historiador
Eric
Hobsbawm esteve certamente entre os historiadores britânicos mais
importantes e influentes do século XX. Como docente, foi um profissional
dedicado e fiel. Atuou praticamente toda a vida na mesma instituição de
ensino, o Birkbeck College, em Londres, onde foi admitido em 1947. Em
termos historiográficos, esteve ao lado de nomes como E.P. Thompson,
Raymond Williams e Christopher Hill, uma bem sucedida geração de
historiadores de esquerda que rompeu com uma leitura ortodoxa do
marxismo, excessivamente economista, determinista e desprovida de
conexão com a prática política. Hobsbawm não fez parte diretamente, mas
também acompanhou a reestruturação dos historiadores de esquerda em
torno da revista “New Left”, na década de 1950, importantíssima no
contexto político e intelectual do pós-guerra. Em seus textos, mostrou
sempre uma incrível erudição. O historiador Christopher Hill disse certa
vez, brincando, que nada se podia ensinar ao colega Eric Hobsbawm. “Ele
já sabia de tudo”.
- “É
evidente que Hobsbawm orientou a sua construção historiográfica a
partir de uma ambição totalizante, muito cara ao marxismo, mas soube
fazê-lo com sensibilidade, ampla cultura geral e abertura para novas
formulações oriundas de outras tendências historiográficas. Abertura que
deve ter desagradado àqueles que, do lado de cá do Atlântico Sul, vivem
incomodados com o que chamam “modismos pós-modernos” ou “desvios
irracionalistas” das temáticas clássicas da ortodoxia marxista. Na
introdução de A Era dos Impérios Hobsbawm usou como epígrafe uma
passagem de Pierre Nora em Les Lieux de Mémoire, onde a história aparece
como “a sempre incompleta e problemática construção do que já não
existe”. Nesta citação, Nora, ao demarcar as distinções entre memória e
história também afirma: “A memória sempre pertence a nossa época e está
intimamente ligada ao presente eterno; a história é uma representação do
passado”. Hobsbawm , ao problematizar o período 1875-1914, começa pela
própria história da sua família valendo-se da memória para motivar a
penetração num tempo que se fecha na altura do seu próprio nascimento.
Recorre, portanto, a uma dimensão biográfica e individualizada da
existência humana para falar de um tempo socialmente repartido. E é
curioso que tenha lançado mão de Pierre Nora, uma personalidade central
no campo da editoração de obras históricas na França. A heterodoxia de
Hobsbawm certamente não deve ter agradado àqueles que, mesmo sem muita
familiaridade com a produção historiográfica internacional, apontam de
forma condenatória para o que seria a “nossa francofilia” no campo dos
estudos históricos”. (leia essa análise, na íntegra, clicando aqui).
Hobsbawm: o intelectual
Além
de historiador, Hobsbawm tinha ainda uma faceta bastante rara
atualmente entre profissionais da área: era um intelectual público
ativo. Na Inglaterra e no exterior, Hobsbawm sempre foi figura fácil em
artigos, ensaios e entrevistas, falando de algum acontecimento do
momento. Nos atentados de 11 de setembro, por exemplo, foi um duro
critico das explicações de “choque de culturas”. Para Hobsbawm, o
terrorismo deveria ser entendido a partir de uma relação de dominação e
exclusão promovida pelo Ocidente ao longo dois últimos dois séculos. Foi
ainda neste âmbito conselheiro de figuras importantes da política
mundial, com Luís Inácio Lula da Silva, ex-presidente do Brasil, e
participou com frequência de eventos públicos em todo o mundo. Esteve
pela última vez no Brasil em 2003, quando foi uma das principais
atrações da Festa Literária de Paraty (FLIP).
A
presença costumeira no espaço público talvez se explique pela própria
experiência de vida do historiador. Nascido em Alexandria, Egito, no ano
de 1917, Hobsbawm foi testemunha daquilo que ele chamou do “breve
século XX”, um século bastante acelerado pela enormidade de
acontecimentos impactantes em termos políticos e culturais. Filho de pai
britânico e mãe austríaca, viveu muitos cenários e situações deste
período de bem perto. Cresceu em Viena e, após a morte dos pais, judeus,
mudou-se para Berlim. Após testemunhar a ascensão do nazismo de Hitler,
mudou-se com o tio e a irmã para Londres. Acompanhou, então, a Segunda
Guerra Mundial, a crise europeia, a Guerra Fria e toda uma gama de
eventos históricos que transformaram o planeta.
Hobsbawm
- como todo grande pensador - também acumulou críticas ao longo da
vida. A maior delas se refere a sua fidelidade ao Partido Comunista
(PC), inabalável mesmo durante a Invasão Soviética à Hungria, em 1956.
Permaneceu membro do PC até a sua desintegração, em 1989. Outra crítica
também comum a Hobsbawm se refere a sua relação com o stalinismo. Para o
professor de história da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES),
Ricardo da Costa, Hobsbawm omitiu em suas obras muitas informações
sobre os horrores cometido em nome do marxismo-leninismo soviético.
(leia esta crítica, na íntegra, aqui).
Hobsbawm para os historiadores brasileiros
Procurando
entender um pouco mais da relevância de Eric Hobsbawm no Brasil – um
dos países onde era mais lido, além da Itália – o Café História
conversou com algumas pessoas que vivem o cotidiano acadêmico no país.
Nossa ideia era identificar como Hobsbawm se tornou a referência entre
historiadores brasileiros que é hoje, mesmo quando objeto de críticas.
Monica
Grin, professora de história contemporânea do Instituto de História da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (IH-UFRJ) desde 1997, explicou ao
Café que a narrativa de Hobsbawm tem o mérito de não só ter
popularizado e historicizado o marxismo para legiões de estudantes, como
também se tornou indissociável da própria história contemporânea. Grin
sublinhou ainda que durante muito tempo Hobsbawm “frequentou” os seus
programas de curso na UFRJ, sendo lido com grande prazer pelos alunos:
-
Adotei em diversas conjunturas os livros de Hobsbawm. Usei “História do
Marxismo - 12 volumes” , “A Era das Revoluções – 1789-1848”, A Era do
Capital - 1848-1875” e “A Era dos Impérios - 1875-1914” quando se
tratava de aulas para a graduação sobre a emergência do marxismo no
século XIX, sobre os desdobramentos sociais da chamada Revolução
Industrial e sobre os Impérios e Imperialismos. Não raro, comparava
Hobsbawm com Thompson e Polanyi para compreender a história social de um
perspectiva marxista, conforme a historiografia inglesa marxista; com
Hannah Arendt para discutir imperialismo. Em outras situações, o tema do
Estado nação e do nacionalismo me fazia visitá-lo, quer em “Nações e
Nacionalismo”, quer em seu livro com Trevor-Roper, “A Invenção da
Tradição”. Neste caso também não me furtava às comparações com Gellner,
Benedict Anderson, Charles Tilly, Anthony Smith. Cheguei a usar também
alguns de seu ensaios em historiografia que saíram em “Sobre história”.
Maria
Paula Araújo, também professora da UFRJ, revela uma memória bastante
interessante, que remete a um jantar que ela e mais três amigas tiveram
com o historiador inglês nos anos 1980, no Rio de Janeiro, na ocasião do
lançamento de um de seus livros no Brasil:
-
Eu tenho orgulho de dizer que tenho na minha estante quase todos os
seus livros. E também tenho na memória uma noite em que eu, Helena Maria
Gasparian, Adriana Benedikt e Vera Paiva, nós quatro iniciando o
mestrado (acho que isso foi em 1983 ou 84) levamos Hobsbawm para jantar
no Lamas (tradicional restaurante do Rio de Janeiro). Ele era um dos
autores exclusivos da Editora Paz e Terra (do Fernando Gasparian, pai da
Helena) e nos coube esta tarefa - levar Hobsbawm e a esposa para
jantar. Na época nós achávamos que o Lamas era um restaurante quase
sofisticado (estávamos acostumadas com o Jobi, o Diagonal e a Pizaria
Guanabara). Foi uma noite inesquecível. Hobsbawm deu palpite nos nossos
trabalhos, até no da Vera, que era sobre a "Lilith" (a primeira mulher
de Adão, insubmissa e devassa, que foi banida do Paraíso e da Bíblia).
Maria
Paula completou ainda dizendo que embora o encontro tenha se dado há
quase 30 anos, não esquece da generalidade e a versatilidade de
Hobsbawm, disposto a conhecer e a opinar sobre o trabalho daqueles
quatro mestrandas brasileiras de vinte e poucos anos.
Já
Zózimo Trabuco, professor de História do Brasil da Universidade
Estadual de Feira de Santana (UEFS), contou ao Café que acredita ter
começado a ler os textos de Hobsbawm como a maioria dos seus leitores: a
partir das “Eras”. “O modo como relacionava as ideias e as práticas
sociais às mudanças políticas e econômicas e a visão comparativa dessas
relações em diferentes lugares dentro de uma mesma temporalidade sempre
me fascinou”, diz o professor. Sobre a história feita de Hobsbawm,
Trabuco diz também:
-
Acho que Hobsbawm representou um modo de compreender a história e o
papel do intelectual que se confundem com o conjunto de sua obra e os
tempos históricos aos quais ele se dedicou a analisar: grandes sínteses,
visão global ou cosmopolita das transformações do mundo, senso de
responsabilidade política da pesquisa e da comunicação do conhecimento
histórico, e apesar - ou em função - das opções políticas pessoais que
fez ao longo da vida, um rigor teórico e metodológico que o fazia ter o
compromisso ético de reavaliar ideologias e alternativas políticas que
marcaram sua trajetória como intelectual público. Neste sentido, o
"Breve Século XX" foi em Hobsbawm o longo século de um modo de fazer
História, foi a "Era de Hobsbawm".
Mas
não é só entre professores que Hobsbawm é referência. Entre estudantes
de história também. João Teófilo, estudante do nono período do curso de
história da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UEVA), na cidade de
Sobral, disse que ficou muito triste quando soube da morte do
historiador, por quem tinha grande admiração. Teófilo explicou que os
textos de Hobsbawm estavam presentes nos cursos de sua faculdade e
revelou porque gosta tanto dos textos do autor:
-
Os escritos de Hobsbawm, embora de uma linguagem complexa, são de uma
riqueza ímpar, uma vez que a maestria do historiador, de uma erudição
invejável, mais que proporcionar um entendimento inteligente que nos
ajuda a refletir sobre a relação do homem com o tempo-espaço, serve de
exemplo para uma escrita exemplar da História. As leituras de Hobsbawm, a
exemplo de “A Era do Extremos”, deixam claro que, não por acaso, ele é
um dos maiores historiadores.
Discutindo Hobsbawm
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
NPH no FACEBOOK
estamos no FACEBOOK desde setembro
estão convidados a serem adicionados. A rede demonstrou ser um instrumento ágil e sério, se utilizada com critério.
nph@ufrgs.br
estão convidados a serem adicionados. A rede demonstrou ser um instrumento ágil e sério, se utilizada com critério.
nph@ufrgs.br
domingo, 24 de junho de 2012
NPH Divulga!
ACERVO DE ENTREVISTAS DO PROJETO MARCAS DA MEMÓRIA DISPONÍVEL AOS INTERESSADOS
O Núcleo de Pesquisa em História anuncia o lançamento de um acervo áudio-visual que registra a história de vida de pessoas que, no Rio Grande do Sul, foram alvo da repressão e/ou se destacaram na luta contra a Ditadura. Este material está sob a guarda do NPH e disponível para consulta aos pesquisadores interessados. O acervo é composto por dezoito entrevistas de história oral realizadas pelo projeto de pesquisa Marcas da Memória: História Oral da Anistia no Brasil, resultado de convênio entre a UFRGS e a Comissão de Anistia no Ministério da Justiça, coordenado pela professora Carla Rodeghero e realizado pela equipe do NPH em parceria com alunos de graduação e de pós graduação.
A escolha dos entrevistados pelo projeto passou critérios definidos pela equipe, tais como: dar prioridade a pessoas que ainda não haviam sido ouvidas em trabalhos desse tipo, dar visibilidade às diferentes correntes políticas que existiram dentro da oposição à ditadura, além de uma preocupação de representar de forma igualitária homens e mulheres.
As entrevistas, focadas na vivência individual desses atores políticos, permitem construir um vasto panorama do período da ditadura no Brasil, trazendo para esse contexto as visões mais diferenciadas, tais como: a militância no PCB e no antigo PTB; a atuação do movimento estudantil; a experiência da luta armada; a produção cultural e artística; os movimentos pelos direitos humanos e pela anistia; os movimentos negro e indígena; a experiência da prisão, da tortura, do exílio, do desaparecimento de familiares; a visão da criança nesse contexto; as estratégias de superação das marcas da repressão; as avaliações sobre as políticas levadas a efeito ou necessárias para o tratamento da herança da ditadura; a importância de refletir sobre a memória destes fatos, entre outros.
Portanto, esse material apresenta um vasto campo de ação para o pesquisador, trazendo diferentes visões e experiências de um mesmo período, visibilizando grupos sociais pouco representados, e demonstrando aspectos políticos, culturais e subjetivos da Ditadura. As entrevistas estão disponíveis na sua versão em vídeo e em arquivos PDF (transcrição e ficha técnica).
Abaixo apresentamos a lista dos entrevistados pelo projeto:
Almoré Zoch Cavalheiro. Entrevista concedida a Aryanne Torres Nunes, em Porto Alegre, em 05 de outubro de 2011. Almoré é militar expurgado. Foi membro do antigo PTB e participou do Movimento pela Legalidade. Como sargento, concorreu e foi eleito deputado estadual no Rio Grande do Sul. Sua posse foi impedida pela justiça. Foi preso após a Revolta dos Sargentos em 1963 e expurgado.
Arnildo Fritzen. Entrevista concedida a Carla Simone Rodeghero em 14 de novembro de 2011, em Carazinho, RS. Arnildo é padre. Participou da luta dos sem terra no Rio Grande do Sul e esteve também envolvido em movimentos relativos à saúde e à organização das mulheres trabalhadoras rurais.
Carlos Francklin Paixão de Araujo. Entrevista concedida a Dante Guimaraens Guazzelli e a Francisco Carvalho Jr., em 11 de abril de 2011, em Porto Alegre. Carlos Araujo é advogado. Foi dirigente da organização VAR- Palmares. Viveu na clandestinidade, foi preso e torturado. Foi anistiado e indenizado. Foi deputado estadual pelo PDT.
Caio Lustosa. Entrevista concedida a Gabriel Dienstmann e a Carla Simone Rodeghero, em 22 de novembro de 2011, em Porto Alegre. Caio é procurador aposentado, ex-vereador e ex-secretário de Meio Ambiente de Porto Alegre. Foi fundador e presidente da ANAI (Associação Nacional de Apoio ao Índio). Teve intensa atuação em entidades ambientalistas, desde os anos 1970.
Cláudio Accurso. Entrevista concedida a Francisco Carvalho Jr. e Rosemay F. Brum, em 1º de setembro de 2011, em Porto Alegre. Economista. Professor da UFRGS, cassado em 1964. Expurgado do serviço público estadual. Viveu em diversos países da América Latina, prestando serviços de consultoria para a ONU.
Emílio Chagas. Entrevista concedida a Carla Simone Rodeghero em 13 de dezembro de 2011, em Porto Alegre. Emílio é jornalista, atuante no Movimento Negro. Fundou a Revista Tição, em 1978, em Porto Alegre.
Fernando do Canto. Entrevista concedida a Dante Guimaraens Guazzelli e Gabriel Dienstmann, em 05 de setembro de 2011, em Porto Alegre. Fernando é médico. Durante a ditadura militou no MDB de Três Passos e tinha relações estreitas com o PCB. Foi eleito deputado estadual em 1974 pelo MDB.
Flávia Schilling. Entrevista concedida a Carla Simone Rodeghero e a Maria Paula Araújo, em 18 de julho de 2011, em São Paulo. Flávia é professora da USP. Filha de liderança do antigo PTB (Paulo Schilling), partiu ainda criança para o exílio no Uruguai. Lá se envolveu com grupos clandestinos de oposição, foi presa por quase 8 anos. Sua libertação fez parte das campanhas pela anistia.
Honório Peres. Entrevista concedida a Dante Guimaraens Guazzelli, em 04 de maio de 2011, em Porto Alegre. Honório é advogado. Foi membro do PCB, tendo sido preso durante a ditadura. Foi beneficiado pela Lei Britto (11.042/97), lei estadual que indenizou perseguidos políticos no Rio Grande do Sul.
Jair Krischke. Entrevista concedida a Carla Simone Rodeghero em 21 de setembro de 2011, em Porto Alegre. Jair foi fundador e continua sendo dirigente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos. Teve e tem atuação junto ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.
José Augusto Avancini. Entrevista concedida a Carla Simone Rodeghero, em 18 de agosto de 2011, em Porto Alegre. Avancini é historiador e professor da UFRGS. Durante a ditadura teve proximidade política com a AP (Ação Popular) e contato com pessoas perseguidas, presas e exiladas. Foi impedido de assumir emprego público pela falta do atestado de bons antecedentes.
Lícia Peres. Entrevista concedida a Carla Simone Rodeghero e a Gabriel Dienstmann, em 27 de junho de 2011, em Porto Alegre. Lícia é socióloga. Foi fundadora presidente do Movimento Feminino pela Anistia/RS. Atua no PDT.
Lino Brum Filho. Entrevista concedida a Gabriel Dienstmann em 18 de outubro de 2011, em Porto Alegre. Lino é jornalista e irmão do desaparecido político da Guerrilha do Araguaia, Cilon Cunha Brum. Atuante em questões ligadas aos mortos e desaparecidos políticos.
Lúcio Barcellos. Entrevista concedida a Francisco Carvalho Jr. em 09 de junho de 2011, em Porto Alegre. Lúcio é médico sanitarista. Foi militante da Fração Bolchevique Trotskista (FBT). Preso em 1970, anistiado e indenizado.
Marta Sicca da Rocha. Entrevista concedida a Gabriel Dienstmann em 21 de maio de 2011, em Porto Alegre. Marta é filha de Tapir Rocha, político do PTB cassado e preso em 1964 e que mais tarde atuou no MDB. Uma de suas irmãs fez parte do Comitê Brasileiro pela Anistia (CBA/RS).
Nilce Azevedo Cardoso. Entrevista concedida a Carla Simone Rodeghero e a Gabriel Dienstmann, em 17 de maio de 2011, em Porto Alegre. Nilce é professora de Física e psicopedagoga. Militou na AP (Ação Popular) em São Paulo e no Rio Grande do Sul. Viveu um período na clandestinidade. Foi presa e torturada.
Raul Ellwanger. Entrevista concedida a Carla Simone Rodeghero, em 07 de julho de 2011, em Porto Alegre. Raul é músico e compositor. Fez parte da Var-Palmares. Viveu na clandestinidade, foi condenado pela Justiça Militar. Exilado no Chile e na Argentina.
Sandra Helena Machado. Entrevista concedida a Francisco Carvalho Jr. em 27 de outubro de 2011, em Porto Alegre. Sandra é professora. Atuou no Movimento Estudantil. Foi perseguida política, presa e exilada no Chile e na Europa. Foi anistiada e indenizada.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
NPH Divulga
Seminário Internacional Ditaduras do Cone Sul: repressão e resistência
O Seminário Internacional Ditaduras do Cone Sul: repressão e resistência (em homenagem a Carlos Alberto Tejera de Ré, o Minhoca, (militante político que foi preso e torturado durante a ditadura civil-militar) falecido em 2011, ocorrerá nos dias 10, 11 e 12 de maio de 2012 no Salão de Atos II da UFRGS.
Maiores informações e inscrições: projetocultural@sarh.rs.gov.br.
Informações e inscrições: projetocultural@sarh.rs.gov.br
Uma promoção conjunta do IFCH/UFRGS, Núcleo de Pesquisa em História, Programa de Pós-Graduação em História, Arquivo Público e Arquivo Histórico do Estado do Rio Grande do Sul e Governo do Estado.
Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Porto Alegre - RS, Brasil
Palestra de Márcio Seligmann-Silva
Seminário Permanente de Estudos do NPH - 2ª edição - 12 de abril de 2012
Palestra de Márcio Seligmann-Silva*
Dando continuidade ao Seminário Permanente de Estudos do NPH, em sua segunda edição, contamos com a presença do Prof. Márcio Seligmann-Silva no IFCH. Este segundo encontro promovido pelo Núcleo de Pesquisa em História e seu Laboratório de História Oral e outras narrativas, em parceria com o Laboratório de Pesquisa em Psicanálise, Arte e Política – LAPPAP, deu sequência à proposta do Seminário de Estudos Permanentes do NPH. Este Seminário, dirigido à comunidade acadêmica, trouxe agora o Prof. Márcio Seligmann-Silva. Assim, tivemos a oportunidade de ampliar com o autor, as discussões sobre sua obra, anteriormente analisada no “Leituras de Márcio Seligmann-Silva”, na edição anterior do Seminário Permanente de Estudos do NPH, realizada nos dias 26, 27 e 28 de março.
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| Márcio Seligmann-Silva em sua palestra no IFCH/UFRGS |
Após a concorrida palestra em que apresentou o trabalho “A escritura da memória: mostrar palavras e narrar imagens”, realizamos um encontro de pesquisa no NPH onde tivemos a oportunidade de conversar com o Prof. Márcio Seligmann-Silva sobre nossos projetos e pesquisas realizadas pelo Núcleo.
Na sequência, o acompanhamos na abertura da exposição no Memorial do RS, “Arpilleras da resistência política chilena” em seu circuito de Porto Alegre.
![]() |
| Márcio Seligmann-Silva na exposição no Memorial do Rio Grande do Sul |
À noite, comparecemos ao lançamento dos livros organizados por Márcio Seligmann-Silva, “Escritas da Violência”, volumes 1 e 2.
No dia seguinte, assistimos a sua apresentação na mesa “História, memória e justiça”, no Seminário Internacional “Limites e possibilidades da justiça de transição: impunidade, direitos e democracia”, realizado na PUC-RS, uma promoção conjunta do Grupo de Pesquisa CNPq Direito à Verdade e à Memória e Justiça de Transição, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Criminais da PUC/RS, e da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça.
*Márcio Seligmann-Silva é ensaísta e teórico de Estética é professor de Teoria Literária e de Literatura Comparada do Instituto de Estudos de Linguagem da UNICAMP. Fez doutorado na Universidade Livre de Berlim, foi professor visitante em universidades no Brasil, Argentina, Alemanha e Estados Unidos. É autor, entre outros livros, de Ler o Livro do Mundo. Walter Benjamin: romantismo e crítica poética (Iluminuras/FAPESP, 1999, vencedor do Prêmio Mario de Andrade de Ensaio Literário da Biblioteca Nacional em 2000) e de O Local da Diferença. Ensaios sobre memória, arte, literatura e tradução (Editora 34, 2005, vencedor do Prêmio Jabuti na categoria Melhor Livro de Teoria/Crítica Literária 2006).
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Muovere Desvio
Textos
Desvio que sinaliza caminhos na dança gaúcha
por Carlinhos Santos • 19/04/2012
As cinco pedrinhas para vencer o demônio. Cidinha Campos enfurecida contra a corrupção. As confissões sobre ser ou não ser dos que, sexualmente, são. As dúvidas quânticas de Gilberto Gil. A hercúlea e renegada tarefa de salvar a humanidade com quadro negro e giz. Mãe Duchampa pra abrir as portas das galerias, trazer o curador e a inspiração. A emergência da dança como área de trabalho e os vocabulários que ela oferece ao novo contexto cultural. Enquanto o áudio retumba todas essas provocações, o vídeo expõe imagens do processo de criação de Desvio, o novo trabalho da Muovere Cia de Dança, que estreou nesta semana, no estacionamento do Centro Municipal de Cultura de Porto Alegre.
As tais imagens do vídeo, espécie de prólogo do trabalho, contextualizam o processo de pesquisa que resultou no espetáculo. Ele começou em outubro de 2011, com improvisações dos bailarinos em espaços de retenção de semáforos da Capital gaúcha. Nesse vaivém urbano, os intérpretes aparecem correndo, puxando-se, arrastando-se. Depois, parte dessas situações, mais de 200, foi registrada em vídeo. Dessas, 45 foram lançados à votação do público através do site do projeto, entre janeiro e fevereiro, incluindo os tais áudios de interesse público.
Aproximando as movimentações experimentadas na rua, mais o interesse votado pelos internautas, deu-se a quântica dessa experiência coreográfica dinâmica e inventiva, que tem vários acertos. O primeiro deles é essa capacidade de se deixar permear pelo ambiente da cidade. “Calvinete”, como se define Jussara Miranda, diretora da companhia, ela busca na obra de Ítalo Calvino uma das potências para suas provocações e ações artísticas. Agora, como em Bild, espetáculo de 2001, o invisível das cidades é referência para tatear, corporalmente, possibilidades de mobilidade que se traduzam em poéticas da e para a dança. Corpo e ambiente em trocas constantes, diriam Katz e Greiner.
De fato, essa possibilidade da urbe virar espaço de criação é uma das riquezas desse Desvio. A rota de ação da Muovere é de inclusão dos ruídos do entorno, das dificuldades do trânsito caótico, das barreiras que as massas humanas viram para o livre flanar nessa paisagem. Esse é o material das corridas (des)ordenadas dos bailarinos em cena, dos encontros ríspidos-rápidos que executam, das contorções, encaixes e desencaixes vigorosos da obra. E, sobre tudo, da delicada visceralidade como são apresentados. Corpo e cidade, ordenamentos e desbobramentos, são o contexto potente que é levado agora à cena.
O trabalho é orquestrado pela pesquisa de procedimentos coreográficos de Jussara, que busca na poética da cidade um dos vetores de suas criações, mais o interesse de Diego Mac na aproximação da dança com as artes visuais, e da diretora Jezebel De Carli, que atua com enfoque no teatro físico. Voltando a outro trabalho da Muovere, Re-Sinto (2008), encontra-se lá a: “sou o espaço onde estou”. É também por esse mote que podemos entender (e aplaudir!) Desvio. A junção de dança, artes visuais e teatro contextualiza um ambiente criativo e de prazeroso resultado.
Ambientada no estacionamento do Centro de Cultura, a montagem toma partido de tudo o que o espaço oferece. As linhas desenhadas no chão para orientar os veículos são, agora, vetores de ação dos intérpretes. A luz reforça esses mapas de movimentação em alguns momentos, esses riscos luminosos parecem quase flutuar. Mas há ali corpos em movimento, num chão que acolhe esta experiência coreográfica reconfortante. E esses corpos são divertidos, tensos, fluidos.
É particularmente significativo, também, que mesmo trabalhando com muitos recursos corporais da dança de rua, a trilha sonora pontuada por Vivaldi e a valsa do Lago dos Cisnes, de Tchaikovsky, cria outras camadas de leituras. Há um pas de deux quebrado, torto, ora suingado, irreverente, mas, ao mesmo tempo, de uma reverência plena ao que, em termos de história, a dança produziu em sua trajetória de opções e estéticas no Ocidente. A ponta que se vê ali citada aponta, sim, para as incorporações possíveis, hoje, dos novos vocabulários para se trabalhar na área.
Nesse sentido, Desvio também acerta o caminho da construção compartilhada, incluindo na sua cena a cena do entorno, numa acolhida ao(s) outro(s) do mundo. Na apresentação da estreia, foi particularmente tocante a cena paralela de uma menina que, ao ver os bailarinos em ação e ouvir os acordes da música, saiu dançando à sua maneira. Depois, reuniu um grupo e aproximou-se, determinada a acomodar seu olhar aos “ruídos” que, antes, poderiam estar atrapalhando a sua brincadeira de rua. Frame de uma dança que aproxima, conquista, educa os sentidos. Flash de uma dança que desacomoda para aquietar.
Montado com recursos do Fumproarte, o fundo municipal destinado à produção artística de Porto Alegre, o novo trabalho da Muovere fortalece a importância da ação de coletivos de criação. Amplia, também, o significado da trajetória da Muovere, que existe há 23 anos. É uma ação que enverga múltiplas pertinências: a principal delas é o de manter-se inquieta, trabalhando com associações afetivas, apostando na capacidade de aglutinar intérpretes criadores – os que estão agora em cena são Denis Gosch, Letícia Paranhos, Wiliam de Freitas e Rossendo Rodrigues –, que fazem de seus corpos uma escrita coreográfica, um manifesto de inserção no contexto da cidade e da produção de pensamentos artísticos com a dança.
Nesse sentido, Merleau-Ponty acolhe a ideia de que o corpo, como um objeto artístico, é um ponto de vista sobre o mundo. Ele reconhece que estamos em um mundo que, ao mesmo tempo em que parece nos anteceder e ter existência independente, é inseparável de nós. É neste espaço, nesta abertura entre o eu e o mundo, entre o interno e o externo, que se inauguram condições de produção de pensamentos que, no caso de Desvio, dançam duos, trios e tais num troca-troca entre dança, cidade, vídeo, vida, arte.
Por estas nuances todas, o novo trabalho da Muovere Cia de Dança é particularmente importante no contexto da produção gaúcha de dança contemporânea e no contexto da cena brasileira. Ele situa possibilidades de diálogos, educação do gosto, construção de parcerias e de resistência artística. Essa é uma rede ainda em construção no Rio Grande do Sul: talvez um pouco pela incapacidade dos grupos/coletivos dialogarem (ainda que haja uma militância pelo Plano Estadual de Cultura e da Dança e no Colegiado de Dança Estadual), e outro tanto pela ainda frágil ação pública no setor. Mesmo assim, nas vertentes de ação da arte contemporânea, a Muovere move-se com habilidade e particular competência.
Então, Desvio tem sinal verde, pois encontrou caminho e vocabulários possíveis para esse trânsito.
O espetáculo volta a ser apresentados dias 28 de abril, às 20h, e 29 de abril, às 19h30min e 20h30min, sendo estas sessões incluídas na programação do dança.com, da Secretaria Municipal de cultura de Porto Alegre/ Centro de Dança.
Carlinhos Santos é historiador, jornalista, crítico de dança, especialista em Corpo e Cultura: Ensino e Criação pela Universidade de Caxias do Sul e mestrando do Programa de Pós-Graduação em Educação (UCS). Também é titular da coluna 3por4, do Jornal Pioneiro, em Caxias do Sul, RS.
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Tags: desvio, Muovere Cia de Dança
segunda-feira, 16 de abril de 2012
NPH Recomenda
Curso de extensão "Práticas museológicas: conservação e gestão", do Curso de História da UNIFRA
Coordenadora do Curso de História
Conjunto III - Prédio 17 - Sala 722
Fone: (55) 3025.1202 - Ramais 9097 e/ou 9099
CENTRO UNIVERSITÁRIO FRANCISCANO (UNIFRA)
segunda-feira, 9 de abril de 2012
NPH Recomenda!
Estamos com uma nova postagem sobre a Comissão da Verdade na nossa página aqui no blog. Está na aba "Notícias" do link Comissão da Verdade.
Confira clicando aqui.
NPH Divulga!
BOLSAS DE PESQUISA
A Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro,
seleciona bolsistas na área de Ciências Humanas (e outras) para projeto de pesquisa. As bolsas variam da modalidade de iniciação científica a bolsas para profissionais com graduação completa ou mestrado. As inscrições para o Programa de Incentivo à Produção do Conhecimento Técnico e Científico na Área de Cultura vão até até 25 de maio de 2012 e só podem ser feitas por correio por serviço de encomenda expressa (Sedex ou similar).
Maiores informações, aqui.
NPH Divulga!
REVISTA DE HISTÓRIA DA BIBLIOTECA NACIONAL
A Revista de História da Biblioteca Nacional
convida os leitores para participar do bate-papo (chamado Biblioteca Fazendo História) sobre brasileiros que lutaram por
outros países ao longo da história. A partir do tema “Trocando a bandeira: brasileiros que lutaram em guerras estrangeiras” e da reportagem de capa da atual edição da revista, estudiosos e público vão poder discutir os motivos que levaram brasileiros a lutar em exércitos de outros países e lembram histórias como as de Abreu de Lima (1794-1869) e Apolônio de Carvalho (1912-2005). O evento ocorre na sede da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, no próximo dia 17 de abril, às 16h, e poderá ser acompanhado em tempo real pelo site www.institutoembratel.org.br e pelo twitter da revista(@rhbn.
NPH Recomenda!
LIVROS GRATUITOS NA INTERNET
A rede de periódicos SciELO Brasil lança o portal"SciELO Livros", que promete democratizar o acesso a produções
científicas desenvolvidas por brasileiros. Livros em formato digital já estão
na internet para download. É gratuito e legal.
Para ler esta matéria acesse: http://cafehistoria.ning.com/page/materia-do-cafe-historia-scielo-brasil-lanca-portal-de-livros-ele
quinta-feira, 5 de abril de 2012
NPH Recomenda!
Márcio Seligmann-Silva no IFCH/UFRGS
No dia 12 de abril, às 10hs, o professor Márcio Seligmann-Silva palestrará no Mini-Auditório do IFCH/UFRGS, no Campus do Vale, Agronomia. O convite partiu do Núcleo de Pesquisa em História, em parceria com o LAPPAP- Laboratório de Pesquisa em Psicanálise, Arte e Política, Instituto de Psicologia Social e Institucional e PPG Psicologia Social e Institucional, Instituto de Artes, PPG Artes visuais da UFRGS. A palestra dá continuidade aos estudos promovidos pelo NPH, em março, acerca das obras do professor Márcio Seligmann-Silva.
O evento tem o apoio do IFCH, Departamento de História e PPG em História da UFRGS.
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